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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ah, a Bienal...



São três pavilhões lotados de estantes. Uma quantidade infinita de títulos para escolher. O cheiro é de livro novo e excitação, afinal, em algum lugar ali perto um leitor assíduo aperta a sua recente -e preciosa- aquisição contra o peito e marca seu lugar na fila para ganhar um autógrafo do seu autor preferido. Começou a Bienal do Rio.
Os dois anos de espera - que pareceram uma eternidade para os fãs do evento - deixaram a expectativa muito alta, mas parece que todas elas serão supridas. Esse ano, a Bienal vem cheia de novidades.
A primeira delas é o #acampamento na bienal, atração que vai privilegiar os jovens leitores, e terá no foco das discussões a literatura de convergência. Para falar sobre isso, estão convidados o elenco do "Porta dos Fundos" e alguns autores queridos desse público, como André Vianco e Paula Pimenta (da série "Fazendo meu filme"), entre outros. Boa parte disso tudo vai ter desdobramentos na internet, então é bom ficar ligado desde já. 
Parada obrigatória para as crianças, outra novidade é o Planeta Ziraldo. O "pai" do Menino Maluquinho será homenageado em um espaço colorido e interativo, que oferece atividades e apresentações de uma em uma hora.
A bienal contará ainda com a presença de autores e ilustradores alemães como Julia Frise, Carmen Stephan e Wladimir Kaminer, já que é o país deles o homenageado desse ano.
E como não podia deixar de ser, os sucessos da outra edição estão também nessa. Thalita Rebouças, que se consagrou rainha da bienal de 2011, esse ano chega na companhia de Maurício de Sousa, com quem escreveu seu último livro, "Ela disse, ele disse: o namoro". Os dois participarão do Conexão Jovem, às 16 horas do dia 31, mas Thalita também recebe sozinha em outros dias no estande da Rocco.
Outro grande convidado desse evento é o americano Nicholas Sparks. O escritor conversa com o público às 12 horas também do dia 31.
No Café Literário, grandes nomes da literatura contemporânea brasileira tem presença confirmada, entre eles, Zuenir Ventura, Lya Luft, Ana Maria Machado e Edney Silvestre.
Para finalizar, o delicioso espaço do Mulher e Ponto contempla o público feminino com debates sobre a literatura voltada para elas. Nele, a grande estrela da vez é Mia Couto, pseudônimo de Antonio Emílio Leite Couto.
Ao longo desse post, indiquei os links que te levam a programação de cada atração. Se você já sabe onde quer ir ou quem quer ver, fique atento aos horários e a distribuição de senhas. Mas caso ainda não tenha decidido um destino, minha dica é que dedique um tempo para "se perder" na Bienal. Há maravilhas escondidas em cada um dos corredores e é uma delícia descobrí-las.
No mais, boa bienal para você! A gente se cruza por lá.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

A apocalíptica Fernanda Young


"A conclusão é: todos têm o mundo aos seus pés. Têm. 

Pisa-se e no que se pisa é mundo.

 Poucos, sim, são os que têm essa noção; os poucos que poderão se tornar eternos."


São essas as três primeiras frases de As pessoas dos livros. Três frases que me custaram menos de 10 segundos de leitura, é verdade, mas que me deram a certeza de que valia a pena escrever sobre o livro.
O motivo é simples: primeiro porque essa é uma citação para ler, reler, compartilhar, tatuar. Segundo, porque explica, de forma rápida, a escritora ímpar que é Fernanda Young. Afinal, quem mais começa um livro com a conclusão?
As outras páginas não deixam a desejar. A história descreve os dilemas da histérica escritora Amanda Ayd, que tem dificuldade em terminar seu novo livro, já que o anterior foi negado pela editora.
Em todo o texto, o narrador é onisciente (misturam-se primeira e terceira pessoa do singular), o que dá um tom de conflito psicológico à história. É quase metalinguístico e tem, assumidamente, um toque autobiográfico.
Esses elementos dão vida a uma narrativa intensa, tensa, louca. A gente lê ofegante, tentando acompanhar o ritmo.
O final é apocalíptico, e espero que, contanto isso, não tenha estragado a surpresa de ninguém. Até porque não dá para esperar nada de outro gênero de Fernanda.
Talvez você não tenha tido contato com os seus livros, mas certamente ouviu falar dos seus títulos para a TV. Entre os roteiros mais recentes, estão o talkshow Confissões do Apocalipse (do GNT) e o seriado Como aproveitar o fim do mundo (da Rede Globo), ambos de tema trágico, embora envoltos em uma abordagem cômica.
O livro é de 2000, mas foi reeditado em 2011 pela Rocco, então é fácil de encontrar. Para quem gosta de realidade disfarçada de romance (ou romance disfarçado de realidade?) é uma ótima opção.
Uma coisa eu posso garantir: é sobre as pessoas dos livros, mas podia ser sobre muita gente que cerca você.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Thalita para todas as idades


Eu leio Thalita Rebouças desde sempre. Desde sempre mesmo, porque são ela e Annie Piagett Müller (autora da série A Turma do Meet) as culpadas pela minha paixão pelos livros. Li alguns dos seus títulos e nunca mais quis parar. Mas isso tem o que? 6, 7 anos? 
O fato é que, antigamente, lia os livros da Thalita e me sentia parte deles. Lia para me identificar, quase para me olhar no espelho. Hoje leio (e vou continuar lendo) com outro sentimento. Dá nostalgia, saudade, vontade de voltar no tempo e sentir tudo o que senti quando a li pela primeira vez. É que, agora, aparentemente, não sou mais infanto-juvenil.
É por isso que, quando a escritora lançou o Adultos sem filtro e outras crônicas, corri para comprar o meu. Tá certo, isso foi há meses, mas confesso que só agora tive tempo de ler.
E que felicidade! Lá estava eu, outra vez, conseguindo me imaginar naqueles cenários. Ou, pelo menos, imaginar alguém que eu conheço neles. Afinal, quem nunca conviveu com um hipocondríaco, não é mesmo?
O livro todo é delicioso. A leitura é fácil e divertida. Eu não precisei nem de marcador. Comecei e, quando vi, já estava no final. Conhecia vários textos da plataforma original, o blog da autora no site da Veja Rio, mas foi um prazer ler outra vez. O título fala em adultos, mas vale para todas as idades.
De tudo, destaco a parte Eu, escritora - uma das dez divisões de tema do livro -, com ênfase na crônica Parece que foi ontem. Quem não conhece Thalita muito bem, tem a chance de sentir o brilhante caminho que percorreu e entender o porquê dela ter se tornado tão importante para a literatura brasileira. E a gente, fã, se sente verdadeiramente parte do enredo. Dá um orgulho enorme da nossa escritora!
Fiquei refletindo sobre isso e achei que estava fazendo uma avaliação "tiete" demais. Foi quando eu entrei no ônibus na volta para casa e vi uma menina lendo as últimas páginas do livro com um grande sorriso no rosto. 
Não tive mais dúvidas. Pode até ser "tietagem", mas sei que muitos se sentem como eu.