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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Encantadoras Flores Raras


A sinopse da editora Rocco para "Flores raras e banalíssimas" recomenda o livro para quem "gosta de uma boa história e de História". A boa notícia então é que (o filme) "Flores Raras" cumpre com essa mesma missão.
No cinema, a biografia é estrelada por Glória Pires e Miranda Otto, que dão vida - respectivamente - à brasileira Lota de Macedo Soares e a poeta americana Elizabeth Bishop. O cenário é o Rio de Janeiro dos anos 50 aos 60, data da chegada de Elizabeth e de todo período em que viveu aqui junto à Lota. O romance tem como pano de fundo o conturbado contexto político brasileiro da época. A história do país e a história das duas se confundem quando a amizade de Lota e Carlos de Lacerda (Marcello Airoldi), que se torna governador do estado da Guanabara em 1960, é motivo de crise no relacionamento.
Tanto Elizabeth quanto Lota são personagens de personalidade forte e inconstante, características essas que, sem cuidado, tornariam a retratação caricata. Mas o versátil diretor Bruno Barreto encontrou o tom certo para a trama. A vida de excessos - de bebida, de emoções, de relacionamentos - é contada sem nenhum exagero e com os "desvios de conduta" fora do foco principal. O que o filme deixa marcado é a irreverencia e o legado que deixaram essas duas mulheres icônicas, e a brilhante atuação das protagonistas faz com que essa marca seja ainda mais forte.
A obra é brasileira, mas o filme é em dois idiomas e tem no elenco gente dos dois países, seguindo a tendência caracterizada pelos filmes do Márcio Garcia (de "Amor por Acaso" e "Angie"). Não fosse pelo conhecido rosto de Glória Pires, quase daria para esquecer que é daqui: tem fotografia e, mesmo tema, diferentes do que a gente tá acostumado. É um marco de excelência para o cinema nacional.
Segue o trailer do filme. Depois disso, vai ser difícil não querer ir ao cinema!



segunda-feira, 8 de julho de 2013

Tatiana e os clones


Há algumas semanas, estava assistindo online uma premiação cinematográfica. Enquanto lia os comentários dos espectadores, a repetição constante de um nome me chamou atenção: Tatiana Maslany.
Os internautas estavam discutindo enlouquecidamente o quanto ela era talentosa e merecia ganhar o prêmio que concorria. E não era pouca gente! Mal se falava em outro artista. No fim da noite, em meio à muitos aplausos, a atriz acabou levando o prêmio de melhor atriz pela série Orphan Black e foi naquele momento que decidi: Precisava assistir a série e entender o porquê de tanto alvoroço.
Na produção canadense criada por Graeme Manson e John Fawcett, Tatiana dá vida à órfã Sarah Manning, uma jovem punk que presencia em uma estação de trem o suicídio de Beth Childs, uma mulher idêntica a ela. Sarah encara a situação como uma chance de conseguir dinheiro, cortar laços com o namorado traficante e conseguir a guarda de sua pequena filha, a quem havia abandonado há cerca de um ano. O plano da jovem parecia simples: forjar sua própria morte, roubar os pertences de Beth e assumir sua identidade até conseguir pôr as mãos em sua conta bancária. Como é de se esperar, a protagonista acaba presa em uma grande aventura e descobre que a falecida parece ter uma vida ainda mais perigosa que a sua própria. Clichê, certo? Já não vimos isso no seriado Ringer, em filmes da sessão da tarde e até novelas mexicanas? Pode apostar que não.
O roteiro nos deixa em estado de choque quando mostra o motivo por trás da semelhança física entre as personagens: nada de irmãs gêmeas. As duas fazem parte um experimento ilegal de clonagem e não são as únicas. Com o passar dos episódios, conhecemos diversas personagens geneticamente idênticas a Sarah, que se unem para buscar respostas sobre suas origens.
A partir do momento que conheci as demais cópias da protagonista ficou fácil de entender (e apoiar) os elogios dados a Tatiana Maslany. A atriz conduz cada uma de suas personagens de forma tão original e detalhada que você realmente esquece se tratar da mesma pessoa. Cada personagem é enriquecida com peculiaridades e isso contribui muito para a dinâmica nas partes em que elas “contracenam” entre si. É quase assustadora a forma com a qual Tatiana leva o espectador a ignorar o fato que ela dá vida a maior parte das personagens da série. A tarefa é complexa e, talvez, a premissa da série falhasse se estivesse nas mãos de outra atriz. Há fortes boatos de que a moça está prestes a receber uma indicação ao Emmy Awards. Ficaremos na torcida!
Vale também fazer uma menção ao ator Jordan Gavaris, que muitas vezes rouba a cena com seu espontâneo e icônico Felix, irmão adotivo de Sarah.
Orphan Black pode ser considerada uma mistura bem sucedida entre drama e ficção científica, contando com uma pitada de investigação. Os fãs de tais gêneros dificilmente vão se desapontar com o ritmo acelerado, intrigante e envolvente com que as tramas da série nos são apresentadas. É como se não desse tempo nem de respirar – quando você cria suas teorias e as peças começam a se encaixar, a história, sem qualquer aviso prévio, nos insere em novos mistérios e nos traz mais perguntas a serem respondidas. A série foi renovada para sua segunda temporada pelo canal canadense Space e tem previsão de estréia para o segundo semestre de 2014. Para quem quiser verificar, a série ainda não chegou no Brasil, só está disponível online. Fica aqui a indicação de quem assistiu ao piloto da série para matar a curiosidade e quando se deu conta, tinha visto a temporada completa em menos de uma semana.