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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

As escravas de Nelson


Na última quarta-feira (31), "Escravas do Amor" completou o primeiro mês da sua temporada no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, Rio. A peça - que estreou em 2006 e foi indicada aos Prêmios Shell e Eletrobrás pela direção de João Fonseca - é a adaptação do texto de Nelson Rodrigues sob o pseudônimo de Suzana Flag, e conta o desenrolar da vida de Malu (Juliana Baroni), Lígia (Rafaela Amado) e Glorinha (Cristina Mayrink) após a misteriosa morte de Ricardo (Bruno Dubeux), noivo da primeira.
Como se a trama já não fosse surpreendente o bastante, o elenco já citado e mais dez atores (Alexandre Pinhiero, Diogo Camargos, Fabrício Belsoff, Filomena Mancuzo, Humberto Câmara, Isley Clare, Ivan Vellame, Paula Sandroni, Ricardo Souzedo e Roberto Lobo - todos dignos de serem mencionados!) dão vida aos personagens de forma muito original. Eles são sempre muitos em cena e, o que podia ser uma confusão, revela uma enorme sincronia, que é a graça da montagem. Eles são, muitas vezes, também sonoplastia e cenário, o que torna tudo muito divertido.
Além disso, a peça é aquilo que podemos chamar realmente de "leitura dinâmica". Não há ninguém lendo o texto, mas a interpretação é feita assim mesmo, entre travessões de falas, mudanças de capítulos e narradores. A extensa obra se transformou em mais de uma hora e meia de um espetáculo tão leve que a gente nem percebe o tempo passar. Uma bela homenagem à Nelson Rodrigues!
Não dá para contar muito sem estragar a surpresa da peça. Então, é melhor que você vá conferir pessoalmente todos os encantos de "Escravas do Amor". O que dá para garantir é que será uma noite na companhia de personagens irreverentes e complexos, atores brilhantes e um enredo com tantas reviravoltas que vai ser difícil escolher um lado da história.
A peça fica em cartaz às terças e quartas, as 21h, até o dia 28 de agosto e, a partir de agora, terá Rose Abdallah como Lígia e Alexandre Contini como Ricardo.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Rain Man" em versão brasileira


"Marcelo Serrado é o cara!"
Era tudo que eu consegui pensar ao sair do Teatro dos Quatro - no shopping da Gávea, Rio - no domingo, um dia antes da estreia oficial do espetáculo Rain Man. E esse parecia ser um pensamento comum à todo público! (Mas isso não significa que os outros atores também não fizeram bem a sua parte - ao contrário. Já falo deles!)
O fato é que Raymond, autista com síndrome de Savant, ganhou brilho especial interpretado por Marcelo. E o mérito é todo dele! A peça é a adaptação para o teatro de um filme de 1988, de mesmo nome, premiado em quatro categorias do Oscar. O texto é bem fiel ao original e a tradução de Miguel Paiva foi muito bem feita. Mas Marcelo dá a seu personagem mais que isso. Sua expressão, seu olhar, seu corpo... Tudo fala por ele! Arrisco dizer, inclusive, que a versão brasileira de Raymond é ainda mais apaixonante do que a original, vivida por Dustin Hoffman.
Aliás, essa é uma característica de todos eles. Tá certo que o teatro faz isso com a gente: estar ali, perto do ator, vendo tudo acontecer sem filtro e sem efeito especial deixa a gente muito mais envolvido. Mas levando em consideração a distância que a narrativa impunha - com nomes e referências que não fazem parte da nossa cultura - cativar o público podia ser uma tarefa difícil. Mas não foi! E é aqui que eu deixo o meu elogio aos demais.
Rafael Infante impõe um ritmo acelerado à Charlie Babbitt, o egocêntrico irmão caçula de Raymond, que só se aproxima dele visando a herança que seu pai deixou ao primogênito. Ele é ainda mais áspero e mais exaltado do que o Charlie que ganhou as telas com Tom Cruise. 
Fernanda Paes Leme - que dá vida à Susan, namorada de Charlie - tinha tudo para ser só uma peça de composição de cenário, um personagem secundário, mas protagoniza uma das cenas mais bonitas da peça: quando ela beija Raymond, não dá para não se emocionar! No filme, a cena não tem a mesma graça, passa quase despercebida. A maneira maternal com que Fernanda conduz a sua personagem, sobretudo nessa hora, faz toda diferença!
Com os nomes do elenco somados ao do diretor de José Wilker, é normal que a gente vá esperando uma dose cavalar de humor. Afinal, Serrado ficou marcado como o amado Crôdoaldo Valério ("Fina Estampa", 2012), Infante é um dos destaques do "Porta dos fundos" e Wilker imortalizou Giovanni Improtta ("Senhora do Destino", 2005). E a peça faz a gente rir, sim. Mas não da maneira como fizeram todos esses exemplos acima. É um humor suave, despretensioso, quase infantil. Tá nos detalhes, na inocência de Raymond e na acidez de Charlie. É um humor reflexivo, eu diria. E explico o porquê.
Rain Man é um drama. Nessa montagem, não um drama tão convencional mas, mesmo assim, um drama "de primeira". Fala diretamente sobre ego, família e amor, através de situações e diálogos inusitados - e  para quem não conhece a história, surpreendentes.
Mesmo para quem assistiu o filme, a peça vale a pena. Tem outro tom e se passa 20 anos a frente da história contada no cinema, o que gera algumas mudanças no enredo. 
Além disso, ver tudo em versão "minimalista" - com menos cenas, poucos elementos cenográficos e figurino simples - faz a gente perceber de outra forma a história. Vai lá conferir!
A peça fica em cartaz até o dia primeiro de setembro, de quinta a domingo.


domingo, 26 de maio de 2013

Tudo para ir ao Teatro!


Não me lembrava da última vez que tinha achado uma adaptação de livro tão boa quanto a obra original.
Até ontem!
Fui ao Teatro Clara Nunes, no Rio, assistir o musical Tudo por um PopStar - peça baseada no livro homônimo de Thalita Rebouças - e fiquei maravilhada! Nem sei por onde começar a elogiar. 
O elenco é impecável e não consigo pensar em como poderiam interpretar melhor os personagens. Todas as peculiaridades e nuances de personalidade e comportamento descritos por Thalita no livro estão lá, sobre o palco. Se eu tivesse que destacar alguém... Bom, simplesmente não conseguiria. Os atores estão tão sincronizados que é quase impossível avaliá-los individualmente.
Thati Lopes, Jullie e Larissa Bougleux - as protagonistas Gabi, Manu e Ritinha, respectivamente - cantam, atuam e falam quase sempre ao mesmo tempo, e é isso que deixa o espetáculo tão natural. Thais Belchior dá brilho especial a Bebete, mas fica ainda mais engraçada na companhia de Igor Pontes, como o superdescolado Davi. O mesmo Igor também faz companhia ao Christian Villegas e ao Raphael Rossato, formando o trio "divo" dos Slava Body Disco Disco Boys.
O repertório musical talvez seja o segredo de tanto sucesso. Lulu Santos, One Direction, Sandy & Junior, Bruno Mars, Rihanna, Madonna, Elton John, Jason Mraz, Raul Seixas... E muito, muito mais! Tem para todos os gostos. E isso explica porque, mesmo sendo para o público infanto-juvenil, a montagem reúna gente de todas as idades rindo na plateia.
O cenário é simples, a produção é simples, o elenco é pequeno e o teatro também. A única coisa que Tudo por um PopStar tem demais é talento. E é a única coisa que eles precisam. É muito bom ver essa galera tão nova fazendo um trabalho tão legal. Merecem todo o prestígio!
Se eu fosse você, ia lá tirar a prova!