quarta-feira, 16 de outubro de 2013

X-Factor: A cartada final



Tudo ou nada. Essa parece ser a proposta do "X-Factor USA" para este ano. O reality prometeu um programa completamente renovado esta temporada e, bem ou mal, está mantendo a palavra. 
O motivo para a reconstrução é simples: sua fórmula não estava dando certo nos Estados Unidos. Os problemas começaram a ficar claros na temporada passada, quando os números só caíam e seu maior concorrente, “The Voice”, era cada vez mais prestigiado pelo público e mídia. Portanto, era vez do "X-Factor" apostar alto em uma renovação de suas estruturas ou acabaria em um cancelamento eminente.
Como pontuamos na semana de estreia do programa, a primeira mudança veio no banco de jurados, que pela primeira vez na história dos realities musicais, era predominantemente feminino. A ideia deu certo e a produção conseguiu o que queria: trazer um clima de descontração e harmonia para o painel. A dinâmica entre Kelly, Demi e Simon é deliciosa de assistir e é notável como os três sentem-se confortáveis com a presença um do outro. Ao longo das primeiras audições, vimos as meninas dançando para Simon, obrigando-o a cantar para a plateia, e obviamente, se tratando de "X-Factor", trocando as famosas farpas. Kelly foi uma ótima adição ao programa. Tem o carisma e espontaneidade para encantar o público, a coragem para ser sincera com os calouros, e o comprometimento em transformar um de seus pupilos no grande vencedor. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre a outra novata do júri: Paulina Rubio tem pouco a oferecer e tudo indica que a própria produção já está ciente do fato, mostrando pouco de seu material.

Sobre a nova fase...
As três primeiras semanas do programa foram dedicadas, como de costume, as audições em frente aos jurados. A surpresa mesmo veio depois, tanto para o público, quanto para os participantes: Pela primeira vez, não haveria Bootcamp ou Judge’s Houses, as tradicionais fases eliminatórias do programa. Este ano os jurados ficaram responsáveis por cortar o número de aprovados para quarenta – sendo dez de cada grupo – baseando-se apenas em uma performance, o que já soa precipitado bastante. Além disso, muitas de tais aprovações são apenas simbólicas, já que a grande maioria não teria a oportunidade de competir na etapa criada especialmente para esta temporada: o 4 Chair Chalenge.
Nessa fase inédita, os dez candidatos de cada grupo competem, em frente aos jurados e ao público, por vagas nas quatro cadeiras disponíveis, que representam o acesso aos live shows. O conceito por trás da nova etapa eliminatória condiz com a narrativa do programa, já que explora como nunca a dramaticidade característica do "X-Factor" e eleva a tensão do público à máxima potência. Isso porque ninguém está completamente salvo durante toda a etapa: se todos as cadeiras já estiverem cheias mas ainda houver gente para cantar, os mentores podem fazer trocas e os candidatos podem ver seus sonhos escaparem aos 45 do segundo tempo.


Se pelo lado do entretenimento a produção do programa foi bem sucedida na criação desta nova dinâmica, ela pecou pela pressa. Selecionar os dezesseis finalistas para os live shows - parte mais importante do reality e que atrai olhares da mídia -, baseado em apenas duas performances é um grande erro. Não conhecemos os candidatos bem o suficiente e temos até que nos esforçar para ligar nomes a rostos. Isso compromete a força das torcidas que, em anos passados, já estavam a todo gás no início dos live shows, votando nos participantes que aprenderam a admirar gradualmente.
Duas apresentações também não são suficientes para determinar quem é bom ou quem teve uma noite de sorte. Foram os casos, por exemplo, de Rachel Potter e Ashly Williams, dois dos maiores nomes da temporada e que foram ovacionadas pelos jurados nas audições. As meninas estavam irreconhecíveis – negativamente – num segundo momento e  ficou difícil saber por qual apresentação se guiar para determinar o futuro delas. O 4 Chair Challenge tem seus méritos, mas seria muito mais eficaz caso antecedesse o Judge’s Houses ou até mesmo o Bootcamp. Nesta configuração, apenas não convenceu.
Os live shows começam dia 29 de outubro nos Estados Unidos e aqui, pela Sony, uma semana depois.
Aos fãs do "The X-Factor USA", eu não recomendaria perder: Com a audiência em declínio a cada semana e rejeição a este novo formato, fortes rumores indicam que essa é a ultima chance de Simon Cowell emplacar o novo ídolo americano.

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